Category: Writing

Artigo sobre “A Costureira…” no 16/10/2009 Valor Econômico!

By , October 18, 2009

Entre dois amores
Por Olga de Mello
Literatura: Escritora brasileiro-americana que cresceu nos EUA volta para o Brasil e lança a tradução, para o português, de seu primeiro romance.

A descrição da celebrada escritora dinamarquesa Isak Dinesen bem poderia ser assinada por Frances de Pontes Peebles. Há cinco meses administrando a fazenda de café de sua família, em Taquaritinga do Norte, no Planalto da Borborema, em Pernambuco, Frances não tem nenhuma pretensão de tornar-se uma Dinesen dos trópicos. “Espero que minha fazenda seja mais bem-sucedida do que a dela. Na literatura, minha ousadia não chega a tanto”, disse em entrevista por telefone ao Valor, na semana em que chegou às livrarias brasileiras a tradução de seu romance de estreia, “A Costureira e o Cangaceiro” (Nova Fronteira, 624 págs., R$ 69,90).

Isak Dinesen era o pseudônimo de Karen Blixen (1845-1992), que morou por 16 anos no Quênia, onde teve uma fazenda de café. Desistiu da empreitada em 1931 e voltou para a Dinamarca para dedicar-se à literatura. O autobiográfico “A Fazenda Africana” tornou-se seu livro mais conhecido, principalmente depois da versão cinematográfica de Sidney Pollack, com Meryl Streep no papel da escritora. Gostava de escrever em inglês e depois os textos eram vertidos para seu idioma nativo. Outro de seus contos a lhe render popularidade por adaptação para o cinema foi “A Festa de Babette”, de Gabriel Axel.

Além da dedicação ao café e à literatura, Frances, como a dinamarquesa, também escreve em inglês. Nascida no Recife há 30 anos e definindo-se como alguém com “um pé no Brasil e outro nos Estados Unidos”, a brasileira sente que sua fluência em português está restrita à fala – com um forte sotaque pernambucano. “Não tenho segurança para me aventurar em textos maiores que os de cartas ou e-mails”, explica Frances, que não interferiu na tradução de Maria Helena Rouanet para o romance. Na versão original fez questão de inserir termos em português.

“Não existe tradução para alpercatas, cangaço ou jagunço. Não são sandálias de couro, bandidos nem vaqueiros, têm outro significado. Então, pus notas explicativas e deixei tudo como se fala aqui, até porque pretendia reproduzir um pouco da musicalidade do palavreado polissilábico português”, conta Frances, que viveu no Brasil até os 5 anos, quando a família se mudou para os Estados Unidos para acompanhar o pai, David Peebles, engenheiro americano.

O contato estreito com a família materna, em Pernambuco, foi sua base para criar uma história genuinamente brasileira. Seguindo a saga de duas irmãs órfãs e costureiras, Frances mostra tanto o Brasil urbano, por meio da sociedade do Recife da época, que buscava acompanhar a modernidade europeia no período anterior à Segunda Guerra Mundial, e o agreste nordestino, onde o tempo resistia às novidades. Depois de formar-se em Letras pela Universidade do Texas, recebeu uma bolsa da Fundação Fulbright para pesquisar o cangaço e escrever um romance histórico totalmente fictício, em que o único personagem real é Getúlio Vargas. “Até os sobrenomes são inventados, pois não queria nenhuma associação com gente que viveu na região.”

O fascínio pelo universo do cangaço vem da infância. Em Taquaritinga ouvia boatos sobre vizinhos que teriam sido cangaceiros. “Eu tinha um medo danado de um tal de seu Vitorino, que teria sido do bando do temível Antonio Silvino. Hoje o cangaço é folclore e os cangaceiros têm aura de heróis, mas quem viveu aqueles tempos sentia pavor deles. Por mais que os cangaceiros fizessem frente ao poder dos coronéis, eles eram perigosos. As famílias escondiam as filhas, já que muitas meninas de 14 anos eram sequestradas pelos cangaceiros. E, mesmo que não sofressem violência alguma, eles ainda tinham que hospedar ou ceder as casas para os bandos”, contou Frances.

A pesquisa histórica à qual se dedicou durante quatro anos e meio incluiu entrevistas com moradores de Taquaritinga, que eram jovens na época do fim do cangaço: “Os relatos deles forneceram o tom de veracidade necessário ao romance. Eu queria criar os meus cangaceiros, que têm características de gente que existiu realmente, só que tudo bem misturado, de forma a ninguém ser reconhecido. As lembranças dessas pessoas me ajudaram a fazer a transposição para aquele mundo que acabou”.

Traçando um paralelo entre a trajetória das irmãs – uma que vive um casamento de conveniência no Recife, a outra, levada por cangaceiros, ganhando notoriedade por sua força dentro do bando -, Frances quis mostrar que as normas rígidas pautavam o comportamento de todos os grupos sociais. “Qualquer traição era punida com a morte. O adultério era proibido. Pouco se sabe do cotidiano das mulheres do cangaço, que entregavam os filhos recém-nascidos aos padres no sertão para que fossem criados por outras famílias. Era uma vida muito perigosa, arriscada, porém a angústia também existia para quem sofria o preconceito da sociedade rica no meio urbano, obrigada a cumprir rituais de luto, mesmo que não sentisse a dor da perda pela morte”, relatou.

A versão brasileira de “A Costureira e o Cangaceiro” exigiu um corte de quase cem páginas. Frances Peebles reconhece que o romance, atualmente com 600 páginas, ainda é bastante extenso. Mesmo assim, conquistou o público feminino. “Apesar do tema, o livro foi apontado como um dos favoritos pelas leitoras da revista ‘Elle’, o que me surpreendeu”, contou a escritora, que não revela o próximo tema a explorar literariamente. Por ora, a prioridade é a fazenda em Taquaritinga, onde pretende permanecer, no mínimo, por cinco anos – o prazo necessário para estabelecer a plantação de café orgânico.

Ela garante que não seguirá o exemplo de Isak Dinesen, narrando sua vivência na direção da fazenda: “Escrever não ficção é abrir sua intimidade, que nem sempre é tão interessante assim. Mexemos com máquinas, andamos o dia inteiro. Estamos ainda aprendendo a tocar o negócio”, explica Frances, que tem como companheiros na empreitada o marido, a irmã e o cunhado.

O trabalho incessante limita a vida social dos dois casais, que ocupam casas diferentes no mesmo terreno. Levantam-se pouco depois do nascer do sol e passam o dia coordenando as atividades dos 17 empregados, entre elas a coleta de mel de colmeias de abelhas e os cuidados com as criações de porcos e de cabras, que fornecem os fertilizantes naturais para o solo. Acabam de plantar quatro mil mudas de pau-brasil na região. Segundo Frances, não há nenhum arrependimento por haver trocado a sofisticada Chicago pela pacata Taquaritinga: “Aqui é minha casa, minha referência de infância, o lugar onde pretendo envelhecer. Queremos criar mais do que uma fonte de renda para a família, trazendo uma inspiração para o desenvolvimento sustentável da região. Tudo é novidade e aprendizado. A vida ficou mais simples, não há televisão na fazenda. Mesmo assim, não há como nos isolarmos do mundo. Temos internet”.

Entrevista no programa Estação Cultura na Rádio Mec

By , September 29, 2009

Hoje foi entrevistada no programa Estação Cultura na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Toda terça-feira Estação Cultura tem seu Café Literário, onde anuncia os lançamentos de livros da semana. Hoje a apresentadora do programa, Alessandra Eckstein, me perguntou sobre o meu livro, A Costureira e o Cangaceiro. A entrevista foi ótima! É uma pena que não oferecem podcasts da Estação Cultura, porque eu gostaria que vocês ouvissem a entrevista. Mas queria agradecer Alessandra e Estação Cultura pela atenção.

Today the program Estação Cultura (Cultural Station) on Rio de Janeiro’s Rádio MEC interviewed me about A Costureira e o Cangaceiro. Every Tuesday at 1:30 Estação Cultura hosts their “Literary Cafe” where they talk about new book releases in Brazil. Today the program’s host, Alessandra Eckstein, asked me questions about my novel and my time in Brazil. Unfortunately Rádio Mec doesn’t offer podcasts of Estação Cultura; I’d really like to share the interview with everyone who reads the blog. Many thanks to Alessandra and her team at Estação Cultura for their time and attention.

A Costureira e o Cangaceiro–Livro Lançado no Brasil!

By , September 27, 2009

Oi gente!
Boas notícias! Meu livro foi lançando no Brasil pela editora Nova Fronteira. O nome do livro em português: A Costureira e o Cangaceiro

“Na pequena Taquaritinga do Norte, Emília e Luzia aprendem desde cedo o ofício da tia, a melhor costureira da região. Em meio a moldes, fazendas, linhas e agulhas, as moças vão tecendo caminhos inesperadamente opostos. Revisitando o Brasil do início do século XX, Frances de Pontes Peebles constrói um romance encantador em meio a transições e turbulências políticas.”

Compre o livro aqui ou em qualquer livraria como Cultura, Saraiva, Travessa, etc.

Now in English: Good news! My novel has been released in Brazil by Nova Fronteira publishers. In Portuguese, the book’s title is: A Costureira e o Cangaceiro

Country Mouse in the Big City

By , August 5, 2009


I recently traveled to New York to attend my dear friend’s wedding, take part in the Bread Loaf Writers’ Conference, and to do a little book promotion. The paperback version of The Seamstress is officially in stores!

First, I was a invited to guest blog on the Reading Group Guides blog, which is a great organization of book clubs across the country. Check out my post.

Tomorrow, August 6th, I’ll be interviewed on the Book Club Girl radio show, part of the Authors on Air program. You can tune in through the internet by going to Blog Talk Radio at 2 PM EST tomorrow, and can download the interview at any point after that.

New York City is amazing, and a real change from farm life. It’s nice to spend time in such a fun, lively place. Tonight I had the pleasure of watching my friend Danny’s dance company perform their first series of “In the Studio” performances. Each Wednesday in August, the Daniel Gwirtzman Dance Company presents a range of choreography from their acclaimed Encore show, as well as several new dances. Before each dance, Danny and the troupe deconstruct their movements and explain to the audience what goes into the final piece. Tonight, we got to see fast-paced modern dance set to 1930′s swing, Micheal Jackson, and an Argentine ballad, among other pieces. There was also amazing partnering work, where the dancers used gravity and their own weight to create a kind of tug-of-war with their bodies. Afterward, there was a question and answer session. I’m not knowledgeable about dance, so the Q&A really helped me better understand modern dance and all of the hard work that goes into each step.

Poem

By , August 3, 2009

“Prospective Immigrants Please Note”
by Adrienne Rich

Either you will
go through this door
or you will not go through.

If you go through
there is always the risk
of remembering your name.

Things look at you doubly
and you must look back
and let them happen.

If you do not go through
it is possible
to live worthily

to maintain your attitudes
to hold your position
to die bravely

but much will blind you,
much will evade you,
at what cost who knows?

The door itself
makes no promises.
It is only a door.

Check out my story on fiftytwostories.com

By , July 27, 2009

Fiftytwostories, great website dedicated to the short story, has decided to feature one of mine: “The Drowned Woman.” The site features one previously published short story each week.

Please go to www.fiftytwostories.com to check it out.

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